VITÓRIA DOS ANIMAIS, RESPEITO À VIDA!

por Deputado Feliciano Filho (Foto – 18 de abril de 2001: Feliciano lacra a câmara de gás de Campinas) No dia 17 de abril de 2001, quando minha cachorrinha Aila me levou até o Centro de Zoonoses de Campinas, fiquei tão horrorizado com o que vi que, naquele momento, fiz uma promessa que daquele segundo em diante dedicaria a minha vida aos animais e lutaria para acabar com as mortes nos CCZs. No dia 17 de abril de 2008, ou seja, exatos sete anos depois, consegui cumprir minha promessa com a sanção da Lei Feliciano pelo Governo do Estado de SP. Foi uma luta muito dura árdua, onde renunciei à minha vida pessoal, mas valeu a pena. A partir da aprovação da Lei 12.916/2008, os Centros de Controle de Zoonoses (carrocinhas), canis municipais e congêneres estão proibidos de matar animais indefesos – que não podem se defender, não tem voz e nem a quem recorrer – de forma indiscriminada, como forma de controle populacional, sendo apenas permitida a eutanásia em animais que apresentem males ou doenças incuráveis ou enfermidades infectocontagiosas que coloquem em risco a saúde pública (devendo ser justificada por laudo técnico que ficará á disposição das entidades de Proteção Animal). Esta Lei ainda autorizou o Governo do Estado a fazer convênios com os municípios no intuito de instituir Políticas Públicas corretas para os animais tais como: castração, identificação e conscientização da população. Os Cães Comunitários também estão protegidos com a Lei Feliciano. Vale lembrar que “Cão Comunitário” é aquele que estabelece com a comunidade laços de dependência e manutenção, embora não possua responsável único e definido, e, desde 2008, só podem ser recolhidos para esterilização e registro, devendo ser posteriormente devolvidos aos locais de origem. Quanto à questão dos cães com mordedura injustificada comprovada por laudo médico, estes devem ser encaminhados para programas especiais de adoção antes de qualquer eutanásia ser sequer cogitada. São Paulo mais uma vez saiu na frente dando exemplo e, já em 2008, eu não tinha dúvida que outros estados seguiriam o mesmo caminho. Tive razão: Hoje a Lei Feliciano já tramita ou foi aprovada em 20 estados do país. A aprovação desta lei configurou-se em um ato histórico, divisor de águas e verdadeira mudança de paradigma, pois proibiu uma prática arcaica, ineficaz, cruel e desumana, além de estar de acordo com o que é preconizado pela Organização Mundial de Saúde, Organização Panamericana de Saúde e com o próprio boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Volto a cumprimentar o governador à época, José Serra, pelo seu discernimento, lucidez e responsabilidade com a coisa pública, afinal, a problemática dos animais não é só uma questão humanitária, mas também de Saúde Pública, Meio Ambiente e de respeito ao dinheiro público, pois as prefeituras, de uma forma geral, gastam três vezes mais para piorar uma situação que cresce de forma geométrica ao passo que poderiam gastar um terço trabalhando nas causas para resolver o problema. Hoje faz 16 anos que olhei nos olhos daqueles cães que estavam no CCZ de Campinas, empoleirados na grade, e o olhar deles dizia “Você é a nossa última esperança, tire-nos daqui!” Naquele tempo, os animais eram enviados para universidades onde serviam de cobaias e os restantes eram mortos na câmara de gás. Em 17 de abril de 2001, não havia água ou comida para os animais e eles já estavam praticando canibalismo, se matando e se comendo, no meio das fezes! Foi naquele momento que os olhei nos olhos e prometi que “Dedicaria o resto da minha vida a eles”. No dia seguinte da promessa de vida, 18 de abril, lacrei a câmara de gás de Campinas, dei início às feiras de adoção e consegui salvá-los! Foi quando tudo começou. E hoje a Lei Feliciano caminha para seu vigésimo estado,  conseguindo salvar a vida de milhares e milhares de animais. Abraço a todos. Conheça a Lei Feliciano: http://felicianofilho.com.br/leis/lei-no-12-916-de-16042008-lei-feliciano-dispoe-sobre-o-controle-da-reproducao-de-caes-e-gatos-e-da-providencias-correlatas/ CONHEÇA FELICIANO Graduado em Economia e Vegetariano, Feliciano fundou em 2001 a União Protetora dos Animais (UPA), permanecendo à frente da entidade até 2009. Foi eleito Vereador em Campinas em 2004, tendo sido então o mais votado do município. Em 2006, elegeu-se Deputado Estadual com 43.643 votos, foi reeleito, em 2010, com 137.573 votos e conquistou o terceiro mandato em 2014 com 188.898 votos, sendo o oitavo deputado estadual mais votado de SP.  ”Eu já nasci Protetor dos Animais,” diz o deputado, “Pois desde criança, quando ia para a fazenda que meus pais tinham em Santa Rita do Passa Quatro, ninguém podia matar uma galinha, um porco, ou maltratar qualquer animal.” Quando ouvia os porcos gritando, Feliciano, com apenas 10 anos de idade, pegava uma garrucha velha e descia correndo para o mangueirão, a fim de ver se os colonos estavam matando os porcos. “Um dos dias mais tristes de minha vida foi quando meu pai vendeu a fazenda. Eu tinha 14 anos e lá deixei todos aqueles animais que eu tinha criado com tanto amor, carinho e dedicação”, lamenta. Todo esse amor pelos animais sempre fez Feliciano sonhar em um dia fazer alguma coisa grande para atingir as causas dos sofrimentos. “Eu sempre colocava na minha agenda a frase ‘Ajudar os Animais’, mas o dia a dia, sempre trabalhando muito, me levava a postergar este sonho. No entanto, sempre socorri os animais que apareciam na minha frente, não tenho nem conta, acho que foram mais de 200. Daria para escrever um livro. Até que um dia minha cachorrinha Aila fugiu, o que a tornou uma grande mártir, pois foi por causa dela que tudo começou. Ela pulou um muro que nunca nenhum cachorro havia pulado antes e saltou novamente no telhado de uma casa nivelado com o muro. Parece que ela queria me levar ao CCZ. Foi o que aconteceu. Depois de revirar tudo de todas as maneiras possíveis, fui até o CCZ, e, quando lá cheguei, descobri que existia uma câmara de gás. Não desejo para ninguém aquele sentimento de impotência, com aqueles cachorros olhando para mim, com um olhar que me dizia: não vá embora, você é a nossa única esperança”, explica Feliciano. Naquele instante, o sentimento de impotência transformou-se em um sentimento de revolta muito grande. Feliciano fez sua Promessa de Vida e, imediatamente, entrou em estressantes e duras negociações com o CCZ e a Secretaria de Saúde de Campinas, fechando um acordo de emergência. No dia seguinte, lacrou a Câmara de Gás da cidade. “Deste dia em diante, minha vida mudou. Não parei mais. Hoje luto de cidade em cidade, contra as crueldades.” Uma dessas lutas foi dois anos depois, em Campinas mesmo: O Caso do Save “Save foi salvo por 5 segundos. Pena que os outros não tiveram a mesma sorte,” conta Feliciano. “Recebi a denúncia que haveria um massacre, uma matança generalizada de cães na Zoonoses de Campinas. Mesmo ultrapassando sinal vermelho, sabia que não daria para chegar a tempo. Do caminho liguei para a coordenadora do CCZ pedindo para que parassem o procedimento, mas ela não concordou. Acelerei muito mais, pois sabia que cada segundo poderia valer vida. Quando lá cheguei, fui direto para a sala de eutanásia, mas, antes de entrar, abri o freezer que ficado lado de fora e ele já estava quase cheio de cães dentro de sacos plásticos. Quando abri a porta, o veterinário tentou fechá-la me empurrando e disse a ele que se ele encostasse mais uma vez a mão em mim eu tomaria providências. Sobre a mesa de eutanásia, um cachorrinho morto. O Save já estava imobilizado e com um olhar de pavor e horror, o médico com a seringa na mão. Foi por um triz; sob  muita tensão e gritaria, falei para pararem com os procedimentos e a coordenadora chegou mandando eu sair de lá imediatamente, sob pena de ela chamar a polícia. Respondi a ela que eu é que iria chamar a polícia, pois estava agindo dentro da lei, e que não sairia da sala enquanto os veterinários e o Save não saíssem também, parando assim as execuções. E assim foi feito. Pelo número de veterinários e ajudantes na sala, fico pensando na quantidade de animais que seriam mortos, caso eu não chegasse a tempo… O Save ficou até traumatizado, por ter assistido à morte dos outros companheirinhos e tê-la sentido bem de perto, passando por todo o processo. Quando as pessoas chegavam perto dele, ele ficava como uma estátua, com um olhar fixo no vazio, encostado no canto como se quisesse entrar na parede ou dentro de si próprio – isso quando não se enrolava todo, colocando o focinho entre as pernas e começando a tremer. Foi preciso muito carinho para desestressá-lo e realizar sua recuperação. Save viveu mais 10 anos e tornou-se o símbolo da luta contra a matança indiscriminada nos CCZs e canis municipais. Já conseguimos grandes vitórias, mas, tudo isto tem um preço: não tenho mais vida pessoal. É de segunda a segunda. Das 8 da manhã à meia-noite”, conclui Feliciano Filho. Neste período, aprovou a Lei Feliciano (Lei Estadual 12.916/08), que proíbe a matança indiscriminada de cães e gatos nos canis municipais e revolucionou a proteção animal. Essa lei provocou tamanha mudança de paradigma que vem sendo copiada na maioria dos estados brasileiros. Também aprovou a Lei da Nota Fiscal Animal (14.728/12), que estende os benefícios da Nota Fiscal Paulista às entidades de proteção animal. Esta lei é fundamental para ajudar as entidades a continuar esse importante trabalho de resgate, tratamento, castração, conscientização da população e doação dos animais vítimas de sofrimento e maus tratos. É dele também a Lei Antitestes em Animais (15.316/14), que proibiu o uso de animais em testes de produtos cosméticos, higiene pessoal, perfumes e seus componentes em todo o estado, e a Lei que institui a Semana de Conscientização dos Direitos dos Animais (15.431/14), a ser comemorada, anualmente, na semana que antecede o dia 4 de outubro. Ainda em 2014, teve sancionada sua Lei AntiPeles (15.566/2014), que proíbe a criação de animais para extração de peles. Hoje em seu terceiro mandato como Deputado Estadual por São Paulo, sua plataforma política se baseia integralmente na instituição de políticas públicas para a proteção, defesa e bem estar dos animais. É recordista de projetos nessa área e o único deputado 100% dedicado à causa animal.



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