Veterinária da prefeitura de Santos narra o horror que vivenciou dentro do navio NADA

No começo de fevereiro a veterinária Magda Regina, escalada pela prefeitura de Santos para vistoriar as condições dos bois transportados de caminhão para o porto da cidade, deparou-se com um cenário inimaginável e que, aliás, foi decisivo na liminar do juiz federal Djalma Moreira Gomes, que impedia a exportação de animais vivos no Brasil, mas que acabou suspensa pelo Tribunal Regional Federal.

Primeiro a veterinária teve acesso a filmagens dos bois dentro dos caminhões feitas por ativistas: “São 27 a 38 animais num único veículo no transporte conhecido como boi-em-pé. Os funcionários cutucam os animais para que não deitem, mas alguns vencidos pelo cansaço caem no num mar de sujeira que também é descartado em via pública”.

Dentro do navio NADA, a situação continuou desoladora. As baias de 18 m² comportavam 28 bois (menos de 1m² para cada boi) o que visivelmente impedia que se movessem adequadamente: “Somado a esse extremo desconforto por falta de espaço tem a questão da temperatura alta e o intenso barulho dos ventiladores. Esses bois passam fome, sede, sentem dor e adoecem. Passam medo e estresse desde a saída das fazendas até o país importador”. Tudo foi devidamente filmado e fotografado.

Já o Procurador Regional da República Sérgio Monteiro Medeiros, que pediu reavaliação da liminar deferida pelo juiz Djalma Moreira, diz que a crueldade animal no transporte marítimo é inegável: “A União assume a defesa desses exportadores que desejam um maior lucro em cima do mal-estar animal”.

“O argumento econômico não se sustenta, pois, pelo porto de São Sebastião, litoral norte de SP, são apenas seis exportadores de gado vivo (cinco jurídicos e um físico). As exportações de gado vivo representam cerca de 190 mil dólares dentro de um universo de 1, 5 bilhão de dólares que é o faturamento total das exportações de carne do estado de SP. Isso representa apenas 0,01% do faturamento do setor”, diz o deputado estadual Feliciano Filho, autor do PL 31 que proíbe a exportação de animais vivos com finalidade de abate por vias marítimas e fluviais.

O procurador salienta ainda a poluição marítima: “Cada boi gera 30 kg de dejetos por dia. Imagina mais de 20 mil bois juntos. E tudo isso acaba no mar. Esse comércio não se sustenta sob o ponto de vista econômico, ambiental e do bem-estar animal. O Brasil não merece a chancela de país inimigo da dignidade animal. Temos que evoluir e aprovar leis em favor dos animais, pois, eles precisam ser tratados com respeito. Por tudo isso, a liminar do juiz Djalma é brilhante”.



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