Purpurina, glitter e penas – o lado obscuro do Carnaval

Feliciano Filho – Proteção Animal

A melhor maneira de aproveitar a alegria do Carnaval é não prejudicar os animais e nem o meio ambiente. Pouca gente sabe disso, mas toneladas de purpurina e glitter vão direto para o mar após o banho dos foliões. É que o sistema de tratamento de esgoto não consegue filtrar partículas tão pequenas. Por isso, ambientalistas do mundo todo estão preocupados com essas micropartículas feitas a partir do plástico que, além de demorarem séculos para se decompor, ainda acabam no estômago da fauna marinha.

Pesquisa realizada pela Universidade de Massey, na Nova Zelândia, descobriu que microplásticos afetam até mesmo a base da cadeia de alimentação aquática, como os plânctons, e também prejudicam ostras e mexilhões. O plástico é o maior poluidor dos oceanos e as micropartículas estão contabilizadas nesse desastre ecológico.

Segundo estudo de 2015 feito por pesquisadores do Imperial College London, de Londres, em parceria com especialistas da Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Holanda, existem 51 trilhões de partículas, como os microplásticos, poluindo os mares. Vale destacar que além da purpurina e do glitter, são microplásticos os microbreads ou grânulos, presentes em pastas de dentes e esfoliantes. Caso na composição do produto tenha “polyethylene” ou “polypropylene”, há microplásticos.

O uso desses grânulos está proibido no Canadá, Estados Unidos e Reino Unido, e deve ser proibido ainda este ano na Nova Zelândia. No Brasil o uso é livre, mas pode muito bem ser substituído por urucum (usado pelos índios para colorir o corpo), por glitter biodegradável que já começa a ser fabricado no país e purpurinas veganas feitas com algas marinhas.

Carnaval dá pena

Infelizmente, ainda tem escola de samba confeccionando fantasias com penas naturais de aves como o faisão, o pavão, o ganso e o avestruz, criados em países como a África do Sul, a China e a Índia, para esse fim. O Brasil é um dos maiores importadores mundiais de penas por conta dos desfiles de Carnaval.

Mas o que ninguém sabe é que essas penas são arrancadas desses pobres animais a sangue frio. As aves são erguidas pelo pescoço e tratadas como se não tivessem vida. Elas gritam de dor e se mexem freneticamente com o intuito de se libertarem da tortura – o que acaba causando fraturas e mais sofrimento. Expostas ao sol sem a proteção das penas, ganham queimaduras e infecções graves. Não são mortas porque os fabricantes as exploram a vida inteira, arrancando de tempos em tempos as novas penas da forma mais violenta possível. O avestruz, por exemplo, que vive cerca de 40 anos, tem toda sua vida atrelada a essa crueldade.

Veja video com Alicia Silverstone mostrando uma parte dessa cruel indústria de penas

https://www.youtube.com/watch?time_continue=36&v=vTfZiVi6Kdo

Tamborim de couro de gato

Parece lenda? Mas não é. Uma ou mais gerações inteiras de sambistas usaram couro de gato para produzir tamborins. Melhor nem pensar de que forma esses animais eram mortos (ou ainda são). Claro que surgiram os materiais sintéticos e uma avalanche de defensores de animais que hoje em dia não permitem tal atrocidade, afinal, os gatos são protegidos pela lei 9.605 e maltratá-los, matá-los ou comê-los é crime ambiental. Mas não é impossível que os gatos ainda estejam sendo vítimas do Carnaval.

No Brasil só se pode fazer uso do couro de animais criados para o consumo da carne ou para fins de extração de peles. No entanto, em SP, com a Lei 15.566/14 do deputado estadual Feliciano Filho (PSC), ficaram proibidas as fábricas de peles de animais criados unicamente para esse fim, como as chinchilas.



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