“Os bois são cozinhados vivos,” diz veterinária australiana sobre animais exportados de navio

Lynn Simpson, veterinária da ONG Animals International, da Austrália, viaja em navios com carga viva há muitos anos e atesta que são terríveis as condições em que os animais permanecem submetidos durante semanas. São 20 mil cabeças e um só veterinário para atender as ocorrências.

A veterinária ressalta que um ambiente tão antinatural provoca muitas doenças. “O que vemos são lesões nas pernas, joelhos, cascos e sérios problemas de conjuntivite devido à precária ventilação e alto teor de amônia, que é um grande matador de bovinos. Em vários casos temos que remover os olhos que se rompem e caem para fora da órbita e jogá-los no mar”, diz a veterinária.

Ela conta que no começo da viagem o navio já se encontra sujo: “Não é lama, mas uma grossa e morna camada de vômito, urina e fezes e, uma vez cobertos de dejetos, os animais contaminam os cochos de alimento e água. Outro agravante é que eles não conseguem deitar todos ao mesmo tempo e então, numa tentativa desesperada de descansar, alguns colocam a cabeça para fora da baia pra não serem pisoteados por outros animais. Quando estão muito feridos ou doentes, temos que matá-los a tiros ou sedá-los, cortar a garganta e depois esquartejá-los com machado para jogar os corpos no mar.”

O esterco cobrindo toda a pele somada às altas temperaturas no interior do navio e à falta de ventilação deixa os animais muito quentes. A alta umidade também é fatal. “É comum ver os animais com as línguas de fora, tentando respirar sem conseguir, já ficando azuis com a falta de oxigênio. O aumento da taxa de respiração aumenta os níveis de CO2 e amônia no ar e piora ainda mais a situação. Animais mais fortes sobem em cima dos mais fracos, em busca de ar, esmagando-os. Alguns caem já espumando pelo nariz. Quando tentamos puxar os animais mortos, as pernas se soltam facilmente e vemos os músculos já sem cor, a gordura translúcida – sinais indicativos de cozimento. Os bois estavam sendo cozinhados vivos.”

Lynn diz que há 140 navios de carga viva no mundo e que são todos muito obsoletos. Ela acredita que a maioria deles deve virar sucata num prazo de 18 meses porque foram aprovadas novas regulamentações internacionais para esse tipo de transporte e os navios em operação não preenchem os requisitos. Mas a questão é: o transporte de animais vivos está com os dias contados devidos às novas normas ou a ganância humana será capaz de criar novos navios para que o lucro se sobreponha à vida animal?



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