O fim da cultura de extermínio

O Brasil, desde 2008, conta com a Lei Feliciano Filho que foi um grande alívio para os amantes de animais. Era um sofrimento saber do extermínio de cães e gatos no CCZ e canis municipais do estado de São Paulo. Milhares de animais eram mortos nas terríveis câmaras de gás, injeção letal, por choque e até pauladas. Aliás, Feliciano Filho, na época em que era apenas ativista e não deputado, já chegou a invadir o CCZ de Campinas exatamente no momento em que um cachorrinho estava prestes a ser perfurado com a injeção da morte. “Tinha feito um acordo para não matarem os animais, mas soube que matariam 50 deles. Então arrombei a porta e conseguiu resgatar o cachorrinho prestes a ser morto, o Save”, relata. acervo_estadao_carrocinha_580 (Foto: Acervo Estadão) “Em 2001, os animais eram enviados para universidades onde serviam de cobaias e os restantes eram mortos na câmara de gás. Muitas vezes não havia água ou comida para os animais e eles praticavam canibalismo, no meio das fezes! Foi naquele momento que os olhei nos olhos e prometi que dedicaria o resto da minha vida a eles”, diz Feliciano que, sete anos depois conseguia ter seu sonho realizado. Save, por sua vez, virou símbolo anti-carrocinha e ficou com o deputado até três anos atrás quando faleceu. A Lei Nº12.916  do deputado estadual Feliciano Filho tem conquistado o Brasil e já vai para o vigésimo Estado! O extermínio de animais de rua saudáveis foi proibido em Alagoas, Amazonas, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em Mato Grosso do Sul, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Piauí, Roraima, Distrito Federal e Rio de Janeiro a lei está em vias de ser sancionada. O desespero de quem viveu na época das Carrocinhas rosemary-polycarpo “Eu e uma amiga cuidávamos de um cachorro que perambulava pelo Parque  da Independência, no bairro do Ipiranga, em SP. Levávamos comida todo dia para ele, tratávamos dele quando adoecia, enfim, ele vivia solto, mas sob nossos cuidados. Um dia, ao chegarmos no Parque, nos avisaram que ele já tinha sido apanhado pela prefeitura”,  conta a psicóloga Rosemary Polycarpo (foto). As duas amigas correram então até o furgão conhecido como “carrocinha”: “Imploramos para soltá-lo porque ele era de certa forma nosso, estava sendo muito bem tratado e já era vacinado. Não foi fácil convencer o funcionário, mas por fim conseguimos libertá-lo”, comenta. Ela diz que era muito triste essa situação, pois, vários animais viviam muito bem nas ruas e eram, de uma hora para outra, capturados e levamos para a morte, inclusive os que tinham donos. ana-lucia-marise A jornalista e diagramadora Ana Lucia Marise (foto), de SP, tem a figura da “carrocinha” como um trauma de infância: “Era comum ouvir falar da tal carrocinha como um verdadeiro bicho-papão dos animaizinhos. Via meus vizinhos desesperados, correndo atrás de seus cachorros para prendê-los e evitar que fossem capturados. Não havia dó nem piedade, os que estivessem pelo caminho, eram levados. Havia choro, súplicas e gritarias, ou seja, uma verdadeira sentença de morte para as vítimas daqueles malvados”, relembra. “Era uma grande tragédia para os que viam seus animais desaparecerem ou ouvirem ao longe os latidos do seu cão apreendido.  E diziam que os animais viravam sabão. Assim foram anos de terror e carnificina, com a gente vendo o triste fim dos bichinhos de rua, seres inocentes levados por verdadeiros carrascos. Hoje em dia, graças a Lei Feliciano, a realidade é outra. Ainda bem que vivemos tempos mais evoluídos”, conclui.



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