O caso Rodrigo Hilbert e as câmeras em abatedouros

No início de março, muito se comentou sobre a falta de bom senso do ator Rodrigo Hilbert, apresentador do programa “Tempero de Família”, do canal GNT. Na nova temporada do programa, ele buscava, segundo suas próprias palavras, “registrar o dia-a-dia de trabalhadores que lutam para criar e alimentar suas famílias”. E foi a um sítio em santa Catarina, mostrar como se faz churrasco de ovelha. Um verdadeiro sofrimento para qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade: Não bastasse matar o animal em rede nacional, com requintes de crueldade, Hilbert escolheu um filhote ainda em fase de amamentação. Para ele, essa é a fase em que a carne “é mais saborosa e macia”. Muitos telespectadores protestaram. E veio, claro, a desculpa pública de Rodrigo, em sua página do Facebook, afirmando que, ao mostrar o abate de um animal, “acreditava estar chamando a atenção para se conhecer a procedência dos alimentos, para se entender como é a cadeia produtiva do que consumimos”. Ainda assim, muitos se incomodaram e continuaram incomodados. Por que VER um abate incomoda? Afinal, será que todos sabemos mesmo de onde vêm os alimentos que consumimos? Ou simplesmente abstraímos esse conhecimento para fechar os olhos a práticas cruéis sem ter o peso na consciência? Lembrar que carré são filhotinhos de ovelha e que vitela são bezerrinhos pode causar algum impacto na forma como escolhemos nosso alimento? O (mau) exemplo de Rodrigo Hilbert mostra a importância do Projeto de Lei 35/2016, de minha autoria, que pede que câmeras de vídeo sejam colocadas em todos os abatedouros do Estado de São Paulo. Afinal, sem os equipamentos, o que pode garantir que os animais que são mortos não sofrem com métodos desumanos, até mesmo piores que o utilizado no “Tempero de Família”? Fãs de carne, em geral, não sabem o que acontece antes de seus pratos chegarem à mesa. Sequer imaginam o quão cruel pode ser a morte de um animal que, amanhã, será o bife, a linguiça em seus pratos. Com tudo isso, as câmeras, além tornar a fiscalização dos abatedouros mais simples e rápida, são, sem dúvidas a melhor opção para que a sociedade caia em si: Carne é o corpo de um animal morto e esquartejado. Nada mais que isso. E as empresas fornecedoras de carne devem um mínimo de respeito e humanidade aos animais que assassinam. Para quem de fato ama os animais, não resta dúvida: Só o vegetarianismo é aceitável. Feliciano Filho



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