Sobre o Caso da Equipe do Cantor Thiaguinho: DECEPÇÃO

Sobre o Caso da Equipe do Cantor Thiaguinho: DECEPÇÃO

“Foi uma grande decepção conhecer as atitudes da equipe do cantor Thiaguinho, após um artefato explosivo ter sido arremessado por um integrante da equipe desse cantor quase matando a Cachorrinha Menina, que foi socorrida pela UPA.

Um membro da equipe do cantor, que se identificou como José Sobrinho, entrou em contato com o César da UPA, perguntando como estava o animalzinho, logo após o resgate. César perguntou-lhe quem teria jogado a bomba. Ele simplesmente respondeu que não sabia e que não havia provas que teria sido algum integrante de sua equipe.

Posteriormente, em depoimento ao Delegado de Polícia, confessou que ele teria sido o autor do atentado.

Isto mostra a falta de compromisso com a verdade.

Entre domingo e terça-feira, tanto a União Protetora dos Animais, bem como a Delegacia de Proteção aos Animais de Campinas tentaram contato com o cantor ou sua equipe, sem sucesso. Só após o Delegado Titular, Dr. Piva, ter anunciado que a falta de resposta, com a indicação do nome do autor, o obrigaria a enviar carta precatória (intimação) a todos os membros da equipe – inclusive o cantor -, quando então o produtor José Sobrinho assumiu a culpa e veio prestar depoimento.

No depoimento, disse que riscou e arremessou a bomba, entrando na van que saiu. Foi quando ele teria escutado a bomba explodir. Este era o momento no qual a cachorrinha estava se debatendo e se esvaindo em sangue.

Fica a pergunta a todos: qual o tempo entre riscar uma bomba e ela explodir?

Segundo o acusado, no ato em que ele riscou e arremessou a bomba, não havia nenhum animal no local e só depois que ele entrou na van e ela saiu, escutou a explosão.

Amigos, não se trata de uma bomba relógio com efeito retardado.

Ora, entre riscar o fósforo e a bomba explodir se passou no mínimo o seguinte : – o arremesso; – a entrada na van; – a arrancada da van; – o aparecimento da cachorra e, afinal, a cachorra morder a bomba e a explosão.

Segundo ele, por volta de dois minutos após ter deixado o local, recebeu um telefonema da segunda van que transportava mais membros de sua equipe, lhe informando que a bomba havia ferido uma cachorra. Ele teria solicitado a esta segunda van que prestasse socorro. Mas isso também não aconteceu. A UPA foi chamada por uma pessoa que havia acabado de abastecer no posto da esquina e encontrou a cachorra ensangüentada.

Após omissões e inverdades, ontem à noite, o acusado ainda desprestigiou a imprensa local, tentando despistar os repórteres e enviando o motorista em seu lugar com a cabeça coberta, chamando a atenção, enquanto ele entrava na Delegacia sem ser notado.

Finalmente, no dia de hoje, o cantor Thiaguinho compareceu ao hospital veterinário, pagou as despesas do tratamento e, sem pedir autorização à UPA, fez imagens com a cachorra e postou em todos os meios de comunicação para tentar aliviar o desgaste que todo este descaso tem causado à sua imagem.

Chegando ao local, encontrei o cantor de saída, me apresentei como fundador da UPA, mas ele se recusou a conversar e nem ao menos nos agradeceu pelo resgate, uma vez que se não chegássemos a tempo, face a omissão de sua equipe, a cadela Menina estaria morta.

É lamentável. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém.

Temos recebido telefonemas e e-mails do Brasil todo de pessoas pedindo para não doar a Menina ao cantor Thiaguinho, pois os signatários entendem que as atitudes dos envolvidos, apuradas no inquérito policial, dão mostras de falta sensibilidade, amor e carinho para com os animais – requisitos essenciais para uma adoção responsável.

Dentre as várias entrevistas que dei ao longo desta semana, uma jornalista me perguntou por que a sociedade estava revoltada com o cantor. Respondi que acreditava que era por conta de sua falta de humildade em silenciar-se diante do clamor popular.

Para nós, o que importa não é o pagamento do hospital veterinário, uma vez que resgatamos mensalmente uma média de 140 animas atropelados ou em sofrimento. E a UPA, com suas parcerias, arca com todos os custos.

O que importa para nós agora é virar a página desse lamentável episódio e que nossa amiguinha se recupere logo e encontre um lar onde possa ser amada e respeitada, sem sensacionalismo.”

FELICIANO FILHO



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