Ibama transfere a responsabilidade do manejo ambiental das capivaras de SP para o Governo do Estado

Ibama transfere a responsabilidade do manejo ambiental das capivaras de SP para o Governo do Estado

A superintendência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) confirmou a formalização de um acordo de cooperação, que visa transferir os poderes de decisão sobre o manejo ambiental das capivaras do estado de São Paulo para a secretaria estadual de Meio Ambiente. O acordo atende reivindicações antigas do deputado Feliciano Filho (PV-Campinas) para este setor. O parlamentar confirmou esta informação no dia 12 de agosto, quando reuniu-se com o superintendente do Ibama, Murilo Rocha, para solicitar que autarquia federal não emitisse mais nenhuma autorização de abate dos animais.

Após ter sido notificado de que as decisões sobre o manejo das capivaras ficariam sob responsabilidade da secretaria estadual de Meio Ambiente, Feliciano encontrou-se com o secretário responsável pela pasta, Bruno Covas. O parlamentar explicou detalhes sobre o caso das capivaras do Lago do Café, em Campinas. Cinco meses depois da chacina realizada no local com o aval do Ibama, o plano de limpeza da área permanece estagnado. O deputado contou que, em visita ao parque no dia 09 de agosto, constatou que as áreas de acesso de outros roedores permaneciam abertas. Duas novas capivaras já foram encontradas no local, segundo a matéria “Licitação revogada vai atrasar desinfeção de Lago”, publicada no portal do Jornal Todo Dia, no dia 16 de agosto.

“A Prefeitura não cumpriu nenhuma das contrapartidas que o Ibama havia solicitado no ato da emissão da permissão de abate. Os portões permanecem abertos e há ainda outras áreas de acesso. Os roedores foram abatidos sob pretexto de que o Poder Público faria um tratamento ambiental imediato, mas até agora isso não aconteceu. O mato permanece alto e infestado de carrapatos. Ou seja: não existe motivo algum para a morte daqueles animais, sendo que sequer foi confirmado se eles estavam ou não contaminados”, disse.

Além ratificar a solicitação para que a secretaria não emita nenhuma autorização de abate dos novos roedores que surgiram no Lago do Café, Feliciano agendou um novo encontro com o secretário em breve para discutir a adoção de políticas públicas para as capivaras do estado de São Paulo. “A lamentável experiência realizada em Campinas mostrou que o extermínio não é solução para contenção da doença. As capivaras podem e devem ser tratadas, assim como o local onde elas residem. Além disso, é fundamental a implementação de programas de esterilização e manejo, que visam o controle populacional dos roedores. Estas sim são medidas éticas e eficientes para o combate à febre maculosa”, enfatizou o deputado.

Mais detalhes sobre esta história poderão ser conferidos na edição #195 do Programa Planeta Bicho, que será transmitido neste sábado, 20 de agosto, às 12h30, na TVB Campinas. Moradores de outras localidades podem acompanhar a transmissão do programa ao vivo pelo website www.programaplanetabicho.com.br.

Saiba mais sobre o caso do extermínio das capivaras do Lago do Café

A Prefeitura Municipal de Campinas mostrou-se na contramão do caminho por uma sociedade evolucionista ao encomendar o abate das capivaras do Lago do Café, na noite de 12 de março de 2011. Respaldada por documentos equivocados, que sequer continham a comprovação laboratorial de que os animais estivessem contaminados pela bactéria Rickettsia rickttesi, transmissora da febre maculosa, a Secretaria Municipal de Saúde conseguiu a autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para o abate.

O deputado Feliciano Filho contestou este contra-senso através da emissão de um ofício à então superintendente do Ibama, Analice de Novais Pereira, no dia 04 de março. A resposta foi imediata e perturbadora: O Ibama negou-se a revogar a autorização de extermínio dos animais, eximindo-se de toda e qualquer responsabilidade pela ausência dos exames sorológicos que comprovariam se as capivaras estavam ou não contaminadas. Conforme o documento, a análise de contaminação caberia à Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN), cujos técnicos recomendaram o abate sem que os exames fossem concluídos, por mera dedução de que elas estivessem contaminadas por conta da infestação de carrapatos-estrela no local.

Tanto a SUCEN quanto o Ibama foram negligentes na determinação do abate. Enquanto o órgão do Estado deixou de cumprir a função técnica que lhe compete, a autarquia federal emitiu uma autorização de extermínio dos animais silvestres sem cobrar uma avaliação coerente por parte da SUCEN. Ambos foram manchados de sangue ao permitirem a chacina realizada pela Prefeitura de Campinas, no dia 12 de março.

O Poder Executivo Municipal realizou o extermínio dos animais na calada da noite, sem aviso prévio à população e aos veículos de imprensa. Protetores de animais e ambientalistas que observaram a movimentação no local concentraram-se em oposição à ação da Prefeitura.

Cinco meses depois da matança dos roedores, o plano de revitalização sanitária do Lago do Café permanece estagnado. A Administração Pública havia programado o início do trabalho de desinfeção para meados de setembro, mas conforme informações divulgadas pela imprensa local, o prazo deve atrasar. Isso porque a Prefeitura revogou a licitação para a contratação de uma empresa que seria responsável pela limpeza da área. A ação aconteceu depois que a Secretaria de Serviços Públicos, responsável pela contratação, concluiu que o modelo exigido das empresas participantes não tinha base científica para garantir que o local seria de fato descontaminado.

Além do descontentamento do público que urgia por uma área de lazer apropriada, permanece ainda a revolta dos protetores de animais e ambientalistas. Até quando os animais serão utilizados como bodes expiatórios para que as Administrações Públicas justifiquem a incapacidade de conter a proliferação de doenças? Fica a reflexão…



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