Feliciano presencia invasão do instituto Royal

Feliciano presencia invasão do instituto Royal

Na última quinta-feira (17), passei o dia na Assembleia Legislativa, mas, ao sair, me dirigi imediatamente a São Roque, prestar apoio às ativistas que haviam se acorrentado no portão do instituto Royal já há alguns dias. Já havia conversado com o promotor de Justiça de São Roque, Dr. Wilson Velasco Júnior, e ele me garantiu que está trabalhando no caso e acompanhando de perto toda a movimentação em torno do citado instituto. Havia boatos de que vans estariam retirando os animais, mas o promotor me afirmou que a informação não procede. Elas estariam transportando apenas funcionários.

Lá chegando, percebi que os ânimos estava exaltados e tentamos montar uma comissão para conversar com alguém do instituto. Foi em vão, pois não havia nenhum interlocutor da entidade no momento.

Os ativistas então invadiram o instituto e resgataram dezenas de animais. Eu, o presidente da comissão de Direitos dos Animais da OAB e outras autoridades permanecemos do lado de fora, mas com o sentimento de que um GRITO DE BASTA fora dado naquela noite..

Como ativista e protetor desde que nasci, e há mais de 14 anos desempenhando um trabalho integral e intenso de resgate de milhares de animais vítimas de atropelamento ou em sofrimento (de forma solitária ou em poucas pessoas), desta vez, fiquei profundamente emocionado ao ver que a sociedade despertou para o sentimento mais nobre: a sensibilidade com o sofrimento dos animais que não podem se defender, não têm voz, nem têm a quem recorrer.

O que aconteceu nesta madrugada, me encheu de esperança pelo fato das pessoas deixarem tudo de lado e, irmanadas em um senso de justiça, se colocarem na frente da Instituto Royal de uma forma sine qua non, ou seja, vamos salvá-los ou vamos salvá-los! Pessoas de todas as idades, desde famílias com crianças a idosos. Raças, credo e profissões totalmente distintas. Representantes de todo segmento da sociedade. Eu, como Deputado, representando a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Vereadores de São Roque e de municípios da região, membros da OAB, donas de casa, estudantes, advogados, engenheiros, etc. Naquele momento, todos juntos com um único objetivo: dar um basta ao sofrimento dos animais. A legitimidade desse movimento é inquestionável e não poderá ser sufocada por nenhum outro interesse de ordem profissional, política e econômica. Foi emocionante e um momento de muita comoção, o resgate daqueles animaizinhos indefesos que estavam esperando a sua vez para sofrer e morrer.

O acontecimento desta madrugada, na minha opinião, se constitui em um marco importantíssimo. A grande repercussão e apoio que está vindo de toda a sociedade através das redes sociais mostram e comprovam: nenhuma ação de ordem empresarial, finaceira, política ou judiciária vai conseguir parar a sociedade, que não suporta mais desmandos, arbitrariedade e impunidade. A ação desta madrugada mostrou que todos querem uma mudança de paradigma.

Há um Projeto de Lei protocolado por mim na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo que restringe o experimento com animais na área da educação, ou seja, nas universidades. Esse projeto foi escrito pela primeira Comissão Anti-Vivisseccionista permanente do Brasil, que criamos na ALESP. Na próxima semana, estarei lutando muito com meus pares Deputados, para conseguir pautar este projeto para votação. Para tanto, precisarei do apoio de todos. Para que os Deputados compreendam a urgência de se aprovar este projeto.

Nesta madrugada, conversando com nossos irmãos protetores e ativistas, disse a eles que estava vivenciando a mesma coisa de antes da Lei Feliciano. Enquanto eu estava lutando e até invadindo alguns Centros de Controle de Zoonoses para salvar animais da morte, outros estavam matando em câmaras de gás, com choques elétricos, à pauladas e até afogado em caixas d’água. Não aguentava mais ir de uma cidade para outra. Foi quando entendi que teria que trocar a espada pela caneta, entrei para a política, consegui como vereador proibir a matança na cidade de Campinas –SP. Depois como Deputado aprovei a Lei Feliciano que proíbe à matança indiscriminada de cães e gatos nos canis municipais. Esta Lei já está indo para seu décimo quarto estado, conseguindo salvar a vida de milhares e milhares de animais.

No mesmo instante que estávamos nesta ação em São Roque em muitos outros lugares, em muitas universidades, os experimentos continuam, por isso, precisamos aprovar o projeto de Lei n. 706/2012 do Estado de SP e depois avançarmos para os demais estados. Eu quero parabenizar a todas as pessoas que estavam nesta mobilização, pois foi contagiante a emoção de ver aqueles cachorrinhos saindo lá de dentro, abanando o rabinho, como se entendessem o que estava acontecendo. Todos foram resgatados. Não existem palavras para expressar o sentimento coletivo no coração de todos os presentes: a satisfação pelo dever cumprido e a emoção de ver o olhar daqueles animais resgatados.

FELICIANO FILHO

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