Entrevista com Feliciano Filho aborda o consumo de animais

Entrevista com Feliciano Filho aborda o consumo de animais

Entrevista dada à Gabriela Soutello, estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero (São Paulo/SP), sobre vegetarianismo, consumo de animais e o trabalho parlamentar:

Gabriela – O fato de você ser vegetariano está presente, também, nas bases de suas propostas políticas? Existe algum projeto de lei que busque o extermínio ou, ao menos, a redução dos maus tratos a animais como galinhas, bois e porcos antes de serem exterminados para venda? Existe algum projeto de lei que busque o extermínio ou, ao menos, a redução da matança animal em prol da alimentação humana?

Deputado Feliciano Filho (PEN-SP) – Entre todos os sofrimentos dos animais, o que acontece em maior quantidade diariamente, são os abates. A melhor forma de combatermos este mal é pela demanda. Por isso, protocolei um projeto de lei intitulado “Segunda Sem Carne”, ou seja, ele trata da obrigatoriedade de que todo e qualquer estabelecimento alimentício ligados ao Estado, tais como escolas estaduais, lanchonetes, refeitórios etc ligados a qualquer órgão do Estado terão que oferecer um cardápio alternativo, sem carne, todas as segundas-feiras. Se conseguirmos aprová-lo, conseguiremos uma boa diminuição na demanda de consumo de carne no estado de SP. A nossa esperança é que este projeto tenha o mesmo efeito que a Lei Feliciano, que aprovamos primeiro em Campinas, depois no estado de SP e, hoje, já é lei em quatro estados e está tramitando em muitos outros. Ou seja, o estado de SP é a caixa de ressonância do Brasil.

Animais como bois, galinhas e porcos são raramente domesticados. Não possuem a “fofura” atribuída a cães e gatos e são utilizados majoritariamente para alimentação humana. O senhor acredita que, por meio da política, possa existir alguma forma de conscientizar a população sobre os direitos desses animais, diminuindo, assim, o consumo?

Apresento um programa na Record denominado “Programa Planeta Bicho” . Várias vezes fiz matérias mostrando pessoas que tem porcos de estimação e que têm o mesmo tratamento que cães e gatos. Tenho demonstrado muito carinho e respeito por bois, galinhas e etc, pois eu mesmo tenho vários que são de estimação. Há pouco tempo salvei vários bovinos que estavam indo para o matadouro e hoje vivem no pasto, livres para sempre.

Quais são os principais objetivos/os principais setores a serem modificados com a proposta de criação de uma comissão antivivisseccionista para o estado de São Paulo?

A primeira comissão antivivisseccionista permanente brasileira tem o objetivo de atuar em todas as esferas onde se praticam a vivissecção. Seja no ensino, pesquisa, indústria etc. Discutiremos tema a tema e provaremos que esta prática é desnecessária.

Para que sejam aprovadas, as leis a favor do bem-estar animal contam também com participação pública?

Para se aprovar uma lei com legitimidade, ela tem que representar o anseio da sociedade. Ou seja, há necessidade de uma demanda popular. A maior prova disso é o gratificante reconhecimento da sociedade para com o nosso trabalho.

Qual é a maior dificuldade política em conceber direitos a animais que, culturalmente, são utilizados para alimentação humana?

Você mesmo já respondeu: a questão cultural. Hoje, as pessoas comem um pedaço de carne como se estivessem comendo uma fruta ou qualquer outro alimento, sem pensar como foi que aquele pedaço de carne foi parar em seu prato, ou seja, as pessoas não têm conhecimento do quanto de sofrimento um ser teve que passar para que aquele alimento chegasse até ali. O que realmente falta é as pessoas adquirirem essa consciência, pois sabemos que 95% das pessoas que se tornam vegetarianas, o fazem pelo sofrimento. Apenas uma pequena parcela se torna vegetariana por ter conhecimento dos malefícios que a pecuária de corte ocasiona em seu corpo e no meio ambiente. É Paul McCartney quem diz que se os frigoríficos fossem de vidro, o mundo seria vegetariano.

Na sua opinião, como cidadão e como político, qual seria a solução para mudar a cultura carnívora brasileira – mesmo que começando por São Paulo?

Pela difusão da informação. Às vezes viajo mais de 500 km para fazer uma palestra, mas se eu conseguir fazer com que pelo menos uma pessoa se converta ao vegetarianismo, valeu a pena. Em meu programa, também sempre mostro vídeos e falo da importância do vegetarianismo. Na Rio+20 enfatizei os malefícios da pecuária de corte na água do planeta. Fico muito feliz quando alguém me diz que se tornou vegetariano por conta de uma palestra que realizei ou pelo meu programa.



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