Comissão antivivissecção já começa a surtir efeitos

Comissão antivivissecção já começa a surtir efeitos

Antes mesmo da primeira reunião da comissão permanente antivivisseccionista – marcada para 19 de setembro, na Assembleia Legislativa de SP, por iniciativa do Deputado Feliciano Filho – o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), publicou nesta segunda-feira (3), no Diário Oficial da União (DOU), chamada pública com o objetivo de selecionar propostas para estruturação da Rede Nacional de Métodos Alternativos (Renama). O prazo para envio vai até 18 de outubro.

A Renama foi criada, por meio da Portaria 491, de 3 de junho de 2012, com o objetivo de atuar no desenvolvimento, validação e certificação de tecnologias e de métodos alternativos ao uso de animais para os testes de segurança e de eficácia de medicamentos e cosméticos. Outra atribuição da rede é a de promover a maior integração de trabalhos e estudos colaborativos relacionados de grupos que atuam no desenvolvimento de métodos alternativos.

Por meio da Chamada MCTI/CNPq 25/2012, estão previstos recursos da ordem de R$ 1,1 milhão para propostas voltadas para as linhas temáticas: financiamento de projetos de pesquisa para implementação em laboratórios brasileiros, para desenvolvimento e validação de modelo de pele humana reconstituída na forma de kits para testes de segurança e eficácia e de métodos alternativos ao uso de animais já validados e reconhecidos internacionalmente.

Experiências com animais são um grande erro

Todo dia, milhares de animais ao redor do mundo são submetidos a enorme sofrimento em experiências que pretendem beneficiar a espécie humana. Na maioria, os resultados são pífios.

Segundo a FDA, agência reguladora de remédios nos EUA, 90% das drogas experimentais falham em testes clínicos com humanos. Motivo: os cientistas não conseguem prever os efeitos que elas terão em pessoas se baseando nos testes de laboratório com animais.

“Entre dezenas de milhões de experimentos realizados anualmente, apenas alguns contribuem para pesquisas médicas importantes”, afirma o filósofo australiano Peter Singer no livro Libertação Animal (Ed. WMF Martins Fontes). Segundo o autor, a maioria dos bichos é usada para testar produtos nada essenciais, como os de beleza.

Esse é o caso dos testes Draize, que usam coelhos para averiguar o efeito de xampus em contato com os olhos. O pesquisador puxa uma das pálpebras do animal e coloca a substância. Até aí, tudo bem, é preciso fazer testes e descobrir se um novo xampu pode acabar cegando alguém. Só que a cobaia fica imobilizada com a substância no olho por até 3 semanas! Será que precisa? Ao final do período, os danos provocados no olho do coelho são tão graves que fica impossível distinguir a íris da córnea ou da pupila.

Testes de psicologia com animais, segundo Singer, geralmente levam a descobertas óbvias. Exemplo: ratos que recebem choques por vários dias seguidos, sem ter como escapar, desenvolvem “desesperança aprendida”. Ora, não parece ser necessário torturar os bichinhos para chegar a essa conclusão, parece?

“É bom lembrar que esse tema está sendo repercutido pelo governo agora, mas a movimentação para a formação desse grupo se deu no início do nosso mandato, em 2007, inclusive com debates na TV Assembleia,” explicou Feliciano. “Isso reforça a importância de estarmos juntos na ALESP, dia 19 de setembro, para a formação e o fortalecimento dessa que será a primeira comissão permanente antivivisseccionista do país.”

Evento: 1º Encontro para a Formação da Comissão Permanente Antiviviseccionista
Data: 19 de setembro de 2012
Horário: Das 19h ás 22h
Local: Auditório Paulo Kobayashi – Assembleia Legislativa de SP
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, 201. São Paulo – SP
Informações: [email protected]



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