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publicado em 1 de novembro de 2015

Vidas Encadeadas

VIDAS ENCADEADAS

Feliciano Filho*

Viver sem causar qualquer tipo de sofrimento, direto ou indireto, aos demais seres. E, em nome dessa escolha, abster-se de todas as carnes, dos laticínios, do mel, dos medicamentos e cosméticos testados em animais, dos sapatos e dos acessórios de couro…

Quem age assim tem um nome: vegano. Faz parte de uma tribo restrita, que enxerga nos animais seres com alma, sentimentos e direito a uma existência digna. Para o vegano, não é “normal” que bois, porcos, aves e tantos outros bichos sejam submetidos ao confinamento desde seu primeiro respiro; nem que pintinhos machos acabem triturados nas granjas dedicadas à produção de ovos; tampouco, que vacas sejam apartadas de seus bezerrinhos e sintam as dores da mastite porque suas mamas são hiperexploradas pela indústria leiteira, além da tristeza e angústia causadas pela separação.

Um boi, um porco e 185 frangos são mortos, por segundo, em média, no Brasil. Esses números têm como base pesquisas do IBGE, segundo as quais aproximadamente oito milhões de bovinos, nove milhões de suínos e 1,5 bilhão de aves são abatidos, por trimestre, em nosso país. São estatísticas superlativas. Quem as examina à luz do pensamento meramente econômico pode sentir entusiasmo. Para um analista com olhar focado no aspecto ambiental, os números causam inquietação: são necessários entre 15 e 16 mil litros de água para produzir um quilo de carne; 5 mil litros para um quilo de carne suína; e 3.900 litros para obter um quilo de frango. Isso sem falar nas emissões de gases de efeito-estufa, dos quais o gado é a principal fonte, e do desgaste do solo acarretado pelo avanço da atividade pecuária. Para o vegano, então, essas estatísticas causam desolação, pois ele reconhece em cada animal o direito individual à existência.

Estima-se que os vegetarianos correspondam hoje a 10% da população brasileira. Não se sabe quantos destes são vegano, pois o IBGE coloca no mesmo rol aqueles que não consomem nenhum produto de origem animal e aqueles que utilizam ovos, leite, laticínios. Ainda assim, trata-se de um número considerável, principalmente porque estamos entre os maiores produtores de carne do mundo. O churrasco, o espetinho na porta do estádio, a peixada e o “franguinho de domingo” são símbolos da cultura nacional.

Certamente, há entre esses vegetarianos muita gente que aderiu à dieta sem carne por razões de saúde ou motivação religiosa. Mas basta um passeio pelas redes sociais para perceber que o discurso de defesa aos bichos vem crescendo.

Notícias sobre maus-tratos geram petições e ondas fortes de indignação. Acidentes – como o ocorrido no Rodoanel, em agosto deste ano, quando centenas de porcos foram vitimados pelo tombamento do caminhão que as transportava, ou o afogamento de milhares de bois no Porto de Barcarena, no Pará, após o navio-curral no qual estavam sendo embarcados vivos ter afundado – também geram comoção.

Estamos em um curioso momento histórico: de um lado, aberrações ético-ideológicas como o Estado Islâmico promovem assustadores espetáculos de crueldade e acarretam uma crise humanitária que se traduz na fuga em massa de sírios, muitos dos quais morrem tentando se agarrar a um fio de esperança, a uma vida melhor; de outro, pessoas cada vez mais conscientes e sensíveis acordam para a necessidade de construir um mundo mais compassivo e menos duro para todos – repito: todos! – os seres viventes. Ressalte-se: quem trabalha pelo bem dos animais não o faz contra os humanos, mas pelo bem de todo o planeta.

Primeiro de Novembro é o Dia Mundial Vegano. Que possamos, nesta data, fazer uma reflexão profunda e perceber que somos vidas encadeadas. Quanto menos tolerarmos abusos e torturas, sejam quem forem as vítimas, mais chances teremos de construir um futuro justo e compassivo.

* Feliciano Filho (PEN-SP) é deputado estadual dedicado à causa animal.

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