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publicado em 21 de junho de 2017

Veterinários e médicos devem aprender a salvar e não tirar vidas

O meio acadêmico vive uma grande contradição. As próprias universidades que alegam não ser possível formar profissionais em determinadas áreas sem o uso de cobaias, por outro lado, formam alunos que, por meio da carta de objeção de consciência, ficam livres de assistir aulas práticas com animais. Se alguns alunos podem se formar sem utilizar cobaias, por que não todos na mesma universidade?

Bianca Marigliani, bióloga especialista em Biologia Molecular e doutoranda em Biotecnologia (Unifesp), diz que falta boa vontade das universidades para investirem em métodos substitutivos: “Sempre ouço a desculpa de que não há recursos para isso, mas essa não é uma justificativa aceitável para que se possa descumprir uma lei” – se referindo à Lei federal 9.605 que cita como crime o uso de animais para fins didáticos havendo métodos alternativos para os mesmos procedimentos. “Creio que os alunos têm um papel fundamental nesse processo de mudança. É necessário pesquisar quais os métodos alternativos disponíveis e exigi-los, visto que são raras as universidades brasileiras cujos professores e coordenadores fazem esse papel”, comenta.

Um dos exemplos positivos mais recentes da utilização de métodos substitutivos é a nova unidade da Uninove em Osasco (SP). A faculdade terá um Núcleo Integrado de Simulação com bonecos – método de ensino usual nas melhores universidades do mundo.

Bianca, que é também vencedora do Prêmio Lush Prize de 2015 (premiação global no setor de alternativas ao uso de animais em testes científicos), ressalta que, embora a objeção de consciência seja um direito do aluno, não resolve o problema: “É preciso ir além. Nem sempre os métodos alternativos são complexos e onerosos. Há plataformas online com diversos métodos que, inclusive, podem ser compartilhados entre universidades. Precisamos que as leis brasileiras sejam cumpridas, de alunos mais engajados e professores mais dispostos a mudar seu método de ensino aplicando a bioética e o princípio dos 3Rs (Reduction/Redução, Refinement/Refinamento e Replacement/Substituição)”.

Em São Paulo, o PL 706/2012 do deputado estadual Feliciano Filho, restringe a utilização de animais em atividades de ensino até o nível da graduação. O PL permite estudos observacionais de campo e tratamento de pacientes (animais) reais, além da utilização de cadáveres e materiais biológicos adquiridos eticamente.

Os métodos substitutivos estão cada vez mais sofisticados e o mais interessante é que não precisam de validação. O próprio Concea – Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal diz: “A validação de métodos alternativos é restrito aos testes utilizados em pesquisa científica, não existindo processo de validação para métodos alternativos para ensino”.

“Os simuladores, tanto em 3D quanto os físicos, são o futuro das aulas de anatomia humana e animal. O humano e o cachorro sintéticos possuem textura e densidade similares as estruturas anatômicas reais e contêm todos os sistemas e órgãos, permitindo a realização de cortes, suturas, dissecações, entubações e podem até mesmo sangrar durante uma cirurgia”, comenta Cláudio Santana, fundador da Csanmek, empresa que desenvolve simuladores.

“As práticas nos laboratórios de simulação da Uninove, alinhadas com a formação em ambientes reais como hospitais, permitem que os estudantes não apenas vivenciem situações críticas e difíceis, mas que possam treiná-las exaustivamente, o que os tornarão profissionais muito mais qualificados e seguros para responder aos desafios da profissão”, afirma a professora Dra. Cinthya Cosme Gutierrez Duran, diretora da área da saúde da instituição.

A médica especializada em ginecologia e obstetrícia Maria Beatriz Galvão, de Santos (SP), se formou há oito anos na Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS) sem uso de cobaias: “Faço cirurgias tranquilamente graças a tudo que aprendi na residência médica, com pacientes humanos, sem ter frequentado nenhuma aula com animais. Na época nem tinha esses recursos de computador disponíveis. Nos dias em que as aulas eram com porcos eu nem entrava na sala. Ficava de fora estudando pelos livros e suturando panos. Hoje vejo que as cobaias não me fizeram nenhuma falta”.

Vale lembrar que existem pelo menos três tipos de uso de animais no ensino que o professor Thales Tréz, fundador do Instituto 1R (Replacement ou Substituição) assinala muito bem: o prejudicial (dano físico, emocional ou morte), o benéfico (quando as intervenções são necessárias para salvar ou tratar um animal realmente doente ou machucado) e neutro (estudos observacionais de campo).

(fonte: ANDA)

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