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publicado em 30 de agosto de 2014

Proteção animal em favor da biodiversidade

A revista científica norte-americana Science publicou em julho edição especial que alerta para o risco de “defaunação” promovido pelo homem e a consequência do desaparecimento de espécies animais para a biodiversidade do planeta. Para os especialistas, promover a prevenção animal significa proteger espécies que têm papel fundamental no bem-estar humano.

Os especialistas que assinam os artigos apontam que o planeta estaria vivendo a sexta onda de extinção em massa. Dos vertebrados terrestres, 322 espécies foram extintas desde 1500 e as populações de espécies restantes tiveram declínio médio de 25% em abundância. De todas as linhagens animais – estimadas entre cinco e nove milhões – o mundo perde entre 11 e 58 mil todos os anos.

A proteção, aliada a políticas de preservação, tem papel fundamental para reduzir o impacto da extinção, que se configura em um grande condutor de mudanças ecológicas globais. Os pesquisados destacam os problemas que envolvem o desaparecimento de populações locais, que afeta ainda mais o funcionamento de ecossistemas naturais vitais ao homem.

Exercida de forma voluntária, a atividade do protetor animal abrange fiscalização, resgate, cuidados veterinários, conscientização, além de promover inúmeras outras ações apenas com o interesse de preservar e ajudar.

O exercício de iniciativas locais auxilia também na promoção de saúde pública, a medida que evita o abandono e realiza cuidados para manter a vitalidade dos animais domésticos.

Um exemplo é o avanço da estimativa de vida de cães e gatos na cidade de São Paulo, nos últimos dez anos. Números publicados pela imprensa apontam que há uma década um cão vivia cerca de nove anos e que hoje atinge por volta de 18 anos.

Ações individuais, programas de acolhimento, tratamento e adoção, além de legislações específicas voltadas ao bem-estar animal, têm ampliado os cuidados às espécies. E isso não se resume aos animais domésticos. Há um número crescente de Organizações Não Governamentais (ONGs) que se dedicam à população de animais exóticos e silvestres, que são resgatados pelos órgãos de fiscalização e, por terem ficado tanto tempo em cativeiro, não podem mais ser devolvidos à natureza e necessitam de abrigo permanente.

É um trabalho árduo, dispendioso e, muitas vezes, pouco reconhecido. Os protetores dedicam tempo e recursos nessas atividades, vão desde o transporte de resgatados, medicamentos, lares temporários, atendimento veterinário, até esforços de conscientização.

A atividade de proteção animal é, portanto, uma ferramenta essencial para a preservação das espécies, seja no âmbito local ou global. Aliados aos órgãos de fiscalização e controle, ampliam a margem de ação de todo o sistema de conservação do meio ambiente.

Em prol do reconhecimento da importância da causa está em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) o projeto de Lei 865/14, que institui no calendário oficial o dia 4 de outubro como o Dia dos Protetores de Animais.

A ideia é conscientizar a sociedade a respeito de nosso meio ambiente e de todos os elementos que o compõem, em especial os animais. Os protetores e protetoras são representantes de vários segmentos da sociedade. É deles a missão de ensinar a população a respeitar outras formas de vida, conscientizando-a de que existem leis que consideram crime os atos de crueldade e maus-tratos, contribuindo, significativamente, para a formação de uma população mais atuante, consciente de seu papel como agente de proteção, responsável e solidária.

* Escrito por: Feliciano Filho: ativista em proteção animal há cerca de 15 anos.

(Fonte: Correio 24h)

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