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publicado em 23 de maio de 2018

“Os bois são cozinhados vivos,” diz veterinária australiana sobre animais exportados de navio

Lynn Simpson, veterinária da ONG Animals International, da Austrália, viaja em navios com carga viva há muitos anos e atesta que são terríveis as condições em que os animais permanecem submetidos durante semanas. São 20 mil cabeças e um só veterinário para atender as ocorrências.

A veterinária ressalta que um ambiente tão antinatural provoca muitas doenças. “O que vemos são lesões nas pernas, joelhos, cascos e sérios problemas de conjuntivite devido à precária ventilação e alto teor de amônia, que é um grande matador de bovinos. Em vários casos temos que remover os olhos que se rompem e caem para fora da órbita e jogá-los no mar”, diz a veterinária.

Ela conta que no começo da viagem o navio já se encontra sujo: “Não é lama, mas uma grossa e morna camada de vômito, urina e fezes e, uma vez cobertos de dejetos, os animais contaminam os cochos de alimento e água. Outro agravante é que eles não conseguem deitar todos ao mesmo tempo e então, numa tentativa desesperada de descansar, alguns colocam a cabeça para fora da baia pra não serem pisoteados por outros animais. Quando estão muito feridos ou doentes, temos que matá-los a tiros ou sedá-los, cortar a garganta e depois esquartejá-los com machado para jogar os corpos no mar.”

O esterco cobrindo toda a pele somada às altas temperaturas no interior do navio e à falta de ventilação deixa os animais muito quentes. A alta umidade também é fatal. “É comum ver os animais com as línguas de fora, tentando respirar sem conseguir, já ficando azuis com a falta de oxigênio. O aumento da taxa de respiração aumenta os níveis de CO2 e amônia no ar e piora ainda mais a situação. Animais mais fortes sobem em cima dos mais fracos, em busca de ar, esmagando-os. Alguns caem já espumando pelo nariz. Quando tentamos puxar os animais mortos, as pernas se soltam facilmente e vemos os músculos já sem cor, a gordura translúcida – sinais indicativos de cozimento. Os bois estavam sendo cozinhados vivos.”

Lynn diz que há 140 navios de carga viva no mundo e que são todos muito obsoletos. Ela acredita que a maioria deles deve virar sucata num prazo de 18 meses porque foram aprovadas novas regulamentações internacionais para esse tipo de transporte e os navios em operação não preenchem os requisitos. Mas a questão é: o transporte de animais vivos está com os dias contados devidos às novas normas ou a ganância humana será capaz de criar novos navios para que o lucro se sobreponha à vida animal?