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publicado em 25 de janeiro de 2018

Embarque de bois é rebatido por ativistas e setor de frigoríficos

O embarque de 27 mil bois no Porto de Santos no final do ano passado expôs o sofrimento desses animais a toda a sociedade por meio de videos e fotos divulgados intensamente pelas redes sociais. A questão, no entanto, deixou de ser apenas uma causa animal. Além da reação de ativistas, que alertam sobre a crueldade embutida no transporte por navios, outro setor tem reagido contrariariamente à exportação de bois vivos.

Com a repercussão do caso, o diretor-executivo do Sicadergs – Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado, Zilmar Moussalle, diz que as exportações não geram empregos e prejudicam os frigoríficos e também setores como de coureiro-calçadista, farmacêutico e graxarias, que dependem da matéria-prima da pecuária.

Outro ponto a se levar em consideração é que as grandes empresas como a Minerva Foods (maior exportador de animais vivos do país) já vendem carne congelada para os mesmos países que estão comprando animais vivos. Não é lógico nem ético submeter animais que já servem de alimento a tanto sofrimento.

Enquanto isso, novo embarque pode ocorrer em Santos apesar de ter sido anunciada a suspensão desse tipo de operação. Isso por conta da pressão de empresas exportadoras em Brasília. O Porto de Santos pode, lamentavelmente, se somar ao de São Sebastião, no litoral norte paulista, e ampliar o transporte de animais vivos para outros países, cujos procedimentos e rituais de abate são também bastante cruéis.

O longo caminho da dor

Vale lembrar que o sofrimento começa na estrada. E, só para ilustrar, um dos pontos de partida, Altinópolis, no Interior de SP, fica a 600 km do porto santista (cerca de dez horas de viagem) e os animais atravessam todo esse percurso, no transporte conhecido como “boi em pé”, prensados uns contra os outros em caminhões e sem paradas para o alimento e o descanso.

Isso porque o “Manual de Boas Práticas de Manejo – Transporte”, elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, recomenda que os animais sejam desembarcados e tenham direito à descanso, alimento e água somente em viagens com duração maior que 12 horas.

Doenças , quedas e morte

Mas esse é só o começo do martírio que os jovens bois, na verdade novilhos com até 300 kg e dois anos de idade, são submetidos. Apavorados com a situação, muitos deles se recusam a andar e então levam choques de varetas elétricas ou pontiagudas para entrar no navio. E lá dentro, mas sofrimento. Com o balanço do mar, eles caem no meio de um mar de fezes, urina e vômitos. Vários sofrem fraturas e não conseguem mais se levantar ou alimentar.

As condições precárias causam pneumonia (febre de embarque), Salmoneloses e Moraxella bovis (olhos vermelhos) conforme constatou investigação feita pela ONG International Animals. Considerando que de 8 a 10% dos animais morrem antes de chegar ao destino, o que fazem com os corpos? Tem freezer? Jogam no mar? E o que acontece com os animais feridos? Há veterinários para tratar deles? São sacrificados? A verdade é que não há como fiscalizar o tratamento dado aos animais nos portos e em alto mar. A única maneira de evitar toda essa trajetória angustiante até a morte num país estrangeiro é acabar com o embarque de animais vivos.