Navio-boiadeiro atracado em São Sebastião já foi expulso de outros países

No porto de São Sebastião, litoral norte de SP, o Polaris 2 está sendo carregado com 7.200 bois desde ontem e, segundo ativistas da região, o navio não tem equipamentos de tratamento dos dejetos bovinos produzidos a bordo sendo o descarte feito diretamente no mar. Ainda segundo os ativistas, várias noticias internacionais dizem que o Polaris 2 já foi expulso do porto das Ilhas Gran Canarias por oferecer riscos sanitários à população e, recentemente, uma inspeção realizada no Porto de Cartagena (Espanha) revelou que haviam 300 animais mortos em seu interior. O Polaris também está impedido de operar na Austrália.

Vale lembrar que foi exatamente nessa época, pouco antes do Natal de 2017, que veio à tona o horror vivido em terra e mar pelos boizinhos (já que na verdade são novilhos) rumo ao Exterior, geralmente para países muçulmanos onde, inclusive, o abate é feito sem sistema de insensibilização, como é lei no Brasil. Fotos e vídeos feitos dentro do navio Nada, então atracado em Santos com 25 mil bois em fevereiro de 2018, comprovaram o ambiente insalubre e as terríveis condições as quais os animais são submetidos durante uma longa viagem de navio que pode chegar a 20 dias.

Diante de tamanha crueldade, o deputado estadual Feliciano Filho (PRP-SP) criou o PL 31, conhecido como o PL dos Bois, proibindo o embarque de animais vivos no Estado. Desde sua concepção o PL 31 causou impacto, gerou intensa polêmica e também manifestações históricas dentro da Assembleia Legislativa de SP conforme retrata muito bem o comovente vídeo abaixo:


(link para o vídeo: https://www.facebook.com/felicianofilho.cps/videos/2067472746660305/)

Foram meses de luta para conseguir pautar o PL 31 que virou notícia no país inteiro e atraiu a atenção da imprensa internacional para a batalha travada no Brasil. Mas com a chegada do final do ano e, apesar de ter aprovação da maioria dos deputados, o presidente da Alesp decidiu não pautar o PL 31. “O lado positivo de todo esse intenso trabalho foi que conseguimos mostrar para todo mundo o que fazem com esses pobres animais e espero que, diante de tanta dor e sofrimento, prejuízos econômicos e ambientais, essa atividade chegue ao fim”, comenta o deputado.

João Carlos Pereira, professor de Meio Ambiente na Rede Municipal de Ilhabela (também no litoral norte), integrante do grupo de ativistas que estuda os impactos da exportação de gado vivo nas praias de Ilha Bela, diz: “Este navio foi fabricado em 1986 no Japão, projetado e construído para transportar veículos e não oferece o mínimo conforto ambiental, térmico e sanitário para realizar o transporte de carga viva. O odor horrível atinge o nosso bairro, Barra Velha, do outro lado do canal e os sacos de cama animal, feitos com serragem e produtos químicos para disfarçar o cheiro, já foram encontrados na praia do Perequê e outros pontos do litoral norte”.



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