História de um resgate: Hulk

O vídeo acima pode ser doloroso de se ver. Mas o resgate deste cãozinho precisa, sim, ter sua história contada porque traz à discussão sobre proteção animal dois lados de uma mesma moeda, que nos é muito preciosa: a adoção. Hulk foi adotado por uma moradora de uma comunidade carente da periferia de Campinas (SP). O que poderia ser uma história com final feliz, no entanto, acabou por se mostrar exatamente o contrário: Hulk foi deixado de lado pela família e sumariamente abandonado tão logo começou a apresentar sintomas de bicheira, uma grave infestação de larvas que, no caso dele, tomou seu ouvido esquerdo e abriu um rombo em sua cabeça. Abandono, sim, mesmo que ainda estivesse próximo à casa de sua adotante, pois não houve sequer a iniciativa de levá-lo a um veterinário – o que caracteriza maus-tratos. Encontrado sob um barranco, Hulk sentia tanto medo e tristeza que nem conseguia sair do buraco onde estava. Seu doía quase tanto quanto o enorme ferimento em sua cabeça. Eram os olhos de um ser que não consegui entender o porquê da crueldade dos humanos. Olhos desconfiados que já não acreditavam que nada de bom poderia vir de um homem. Ao ser resgatado, além do buraco que perfurava o crânio, mais uma prova de maus-tratos: Hulk estava magro a ponto de ser possível contar suas costelas só de olhar. Aliás, a única maneira de fazer o resgate e retirá-lo do buraco onde se enfiou foi oferecer um pedaço de pão. Foi a fome que o fez sair. Mesmo com toda a dor, com todos os maus-tratos, com tudo de ruim por que passou, Hulk demonstrou a bondade e a inocência dos animais ao ser ajudado: não latiu, não foi violento, mostrou-se tranquilo e dócil todo o tempo. Levado para a veterinária, um novo olhar surgiu no peludo: esperança misturada à alegria de perceber que o pior já passou. Percebemos que os animais talvez sejam mais evoluídos que nós quando vemos imagens como estas. Mesmo depois de todos os maus-tratos, de toda a crueldade por que passou, Hulk mostrou-se recuperado antes mesmo de estar curado. É perceptível que ele quer viver! De toda essa história, o que podemos tirar de bom, além da nova chance de vida ao cãozinho? Que adotar, apesar de ser um gesto maravilhoso, é algo que precisa ser pensado com carinho e cuidado. Com responsabilidade. Vai muito além de ter amor para dar. É preciso estar disposto a viver alegrias, mas também tristezas, como em qualquer relação. Pensar que um animal doente precisa de tratamento tanto quanto um ser humano. Que nem sempre manter sua qualidade de vida será fácil, ainda que se tenha grande devoção por ele. Enfim, adoção é tudo de bom? SIM! Desde que a decisão de adotar um amiguinho seja tomada conscientemente, com muita responsabilidade, exatamente como a decisão de ter um filho. Esse amor, esse cuidado, isso sim é tudo de bom. 😉 Feliciano Filho



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