Bombeiros de Diadema aderem à “Segunda Sem Carne”

Carne de soja, legumes refogados, salada de batatas, arroz e feijão. Esse passou a ser o almoço dos bombeiros do Posto de Diadema as segundas-feiras. A ideia partiu do próprio tenente comandante do Posto, Felipe Pinholi, que é um amante e protetor de animais, ao tomar conhecimento da “Segunda Sem Carne”, proposta pelo deputado estadual Feliciano Filho por meio do Projeto de Lei 87/2016.

“Achei que seria uma boa oportunidade de motivar os colegas de trabalho a também experimentarem uma refeição vegetariana. A empresa que faz nossas refeições adequou o cardápio. No primeiro dia os bombeiros provaram a carne de soja e acreditaram ser carne animal. Todos aprovaram”, conta.

SEGUNDA SEM CARNE (14 de 16)

O comandante Felipe diz que despertou para o vegetarianismo depois que passou a conviver com animais mais de perto: “Tudo começou quando eu era policial militar e socorri um cachorro que foi ferido com óleo quente, o Tobias. Ele não tinha dono, então cuidei dele e está comigo até hoje. Depois resgatei a cadelinha Michoca e ajudei vários cães abandonados em Mairiporã, onde comecei a atuar como bombeiro. Esse contato próximo com os cães me fez pensar na vida como um todo e me motivou a aderir a uma alimentação vegetariana”.

A “Segunda Sem Carne” ou “Meat Free Monday” é uma campanha internacional que teve início com ex-beatle Paul McCartney em 2008, mas o movimento “Meatless Monday” surgiu antes, em 2003, nos Estados Unidos, visando poupar o sofrimento dos animais que são abatidos para consumo e também para combater o aquecimento global. Atualmente 35 países já possuem ações voltadas para a Segunda Sem Carne.

O PL 87/2016 institui a “Segunda Sem Carne” em restaurantes, lanchonetes, bares, escolas, refeitórios e estabelecimentos similares que exerçam suas atividades nos órgãos públicos do Estado de São Paulo. Esses estabelecimentos deverão obrigatoriamente fixar em local visível ao consumidor um cardápio alternativo sem carne e seus derivados.

“O objetivo é chamar a atenção da sociedade sobre as consequências do consumo de carne e de seus derivados, relacionando tal questão diretamente aos direitos dos animais, à crise ambiental, ao aquecimento global, à perda de biodiversidade, às mudanças climáticas e às diversas doenças que afligem a população humana, incluindo doenças cardiovasculares, doenças crônicas degenerativas, colesterol elevado, diversos tipos de câncer e diabetes”, comenta o deputado.

Segundo um estudo da Orga­nização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), as emissões de gases de efeito-estufa – como o dióxido de carbono, o metano e o óxido de nitrato – associadas à cadeia de produção da carne, representam um quinto das emissões totais mundiais. “Cerca de 18% das emissões provêm do desmatamento para a criação de pastagens, do transporte da carne, do processamento industrial do alimento e do sistema digestivo dos bovinos”, diz Feliciano Filho.

Mascotes do Corpo de Bombeiros de Diadema

SEGUNDA SEM CARNE (16 de 16)

Além da “Segunda Sem Carne”, o Posto de Bombeiros de Diadema tem vários mascotes. A Estopinha, por exemplo, foi resgatada de um córrego num dia de enchente. “Hoje ela faz parte do efetivo, assim como o Maisena, um cachorrinho que adotamos. E tem ainda a Frajolinha, uma gatinha que também acabou ficando conosco. Já cuidamos ainda de coelho e jabuti”, conta o tenente comandante Felipe Pinholi.

Ele explica que o dever dos bombeiros é salvar vidas e por isso faz parte da rotina deles ajudar animais que estejam em risco de vida como no alto de árvores, postes, córregos, ilhados devido a enchentes, presos em bueiros e diversas outras situações. “O verdadeiro bombeiro preza pela vida de todos, humanos e animais. Mas o problema surge após o salvamento, pois, não temos para onde levar o animal de rua e, muitas vezes, ele precisa de atendimento médico emergencial. Aqui no Posto de Diadema a gente salva e faz o que pode pelo animal”, diz.

 



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