Audiência Pública – Uso de Animais Vivos no Ensino: Ainda é Necessário?

Esse é o tema da Audiência Pública que ocorrerá no próximo dia 22 de novembro, às 18h, na Assembleia Legislativa de SP (Alesp), promovida pelo Deputado Estadual Feliciano Filho e que abordará a utilização de animais em faculdades de medicina, medicina veterinária, biologia, psicologia, odontologia e ciências farmacêuticas, dentre outras. “A utilização animal vem sendo cada vez mais questionada no meio acadêmico e pela população em geral, seja por questões éticas ou científicas. Há uma crescente tendência da sociedade em trazer os animais para uma esfera moral, reconhecendo-os como sujeitos de direito. As mais importantes universidades do mundo tem abandonado o uso de animais”, comenta o deputado Feliciano Filho, que, por meio do Projeto de Lei Nº 706 de 2012, quer que a utilização de animais no ensino se restrinja apenas a estudos observacionais em campo, exames clínicos que auxiliem o diagnóstico do paciente e animais que estejam de fato necessitando da intervenção de um profissional para restabelecimento de sua saúde. O PL regulamenta ainda a utilização de material biológico e cadáveres adquiridos eticamente. O evento contará com a presença do juiz federal Anderson Furlan, Júlia Matera, professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP (premiada em concurso internacional sobre métodos substitutivos ao uso de animais no ensino) e Odete Miranda, professora da Faculdade de Medicina do ABC, onde desde 2007 não se utiliza mais animais nas aulas, dentre outros convidados. Brasil já utiliza métodos substitutivos A professora Odete Miranda orquestrou um minucioso processo para abolir o uso de animais na Faculdade de Medicina do ABC: “Numa ocasião um cachorrinho era arrastado para dentro da sala de aula gritando de desespero e traumatizando os alunos. Naquele dia decidi fazer algo a respeito”. Depois de várias etapas de convencimento envolvendo alunos, docentes e a direção da escola, além de montar um dossiê de métodos substitutivos com mais de 300 páginas, a professora conseguiu, em 2007, por fim ao uso de animais na faculdade. A nefrologista Sabrina Polycarpo se formou na Faculdade do ABC: “Os animais foram abolidos no meu último ano de faculdade, então eu infelizmente peguei muitas aulas com animais. Sempre achei 100% desnecessário e cruel e me lembro, principalmente, com muita dor, das aulas com cachorros. Eu ficava a aula toda atrás do responsável pela anestesia preocupada com o animal sentir dor. Nunca fiz qualquer procedimento em nenhum, sempre me recusei. Graças a Deus isso acabou. A professora Odete sempre foi conhecida pelo ativismo contra essas práticas”, conta. A professora Júlia Matera também se sentia incomodada com o uso de animais vivos na USP, afinal, eram mais de 300 por ano recolhidos do CCZ. Ela pesquisou métodos modernos e esse ano ficou em primeiro lugar no concurso “Métodos substitutivos ao uso prejudicial de animais no ensino humanitário da Medicina Veterinária e Zootecnia na América Latina” promovido pela World Animal Protection. “Pesquisamos uma técnica do século 18 para embalsamar cadáveres. Com cadáveres cedidos pelo Hospital Veterinario da USP, todos os alunos passaram a realizar os procedimentos e, inclusive, repeti-los. O resultado foi um aluno muito mais concentrado, que consegue prestar atenção e pode repetir o procedimento sem culpa”, declara. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 90% das faculdades de Medicina não utilizam mais animais em experimentos, entre elas, instituições conceituadas, como Harvard, Stanford e Yale. Na Grã-Bretanha e Alemanha 100% as faculdades de medicina não utilizam mais animais em experimentos. Segundo o Comitê Médico para a Medicina Veterinária Responsável (com sede em Whashington), das 187 faculdades existentes nos EUA e Canadá, apenas quatro ainda utilizam animais vivos. “A utilização de animais vivos tem o potencial de dessensibilizar o estudante, podendo fazê-lo perder o senso de reverência e respeito à vida. Já a utilização de métodos substitutivos condiz com a formação de profissionais mais sensíveis e humanitários”, afirma Feliciano. Salvar ou tirar vidas? A Lei Federal 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), em seu artigo 32, parágrafo 1º, estabelece que é crime a realização de procedimentos dolorosos ou cruéis em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. Por sua vez, o Concea – Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal diz que havendo métodos alternativos ao uso de animais vivos, as instituições de ensino devem adotar ferramentas mais modernas. Métodos substitutivos existem e estão cada vez mais sofisticados.  Os simuladores bovinos avançados, por exemplo, têm complexo sistema de órgãos internos que permitem a prática de apalpação cólica e parto. São muitos os simuladores caninos que permitem o treinamento de inúmeros procedimentos como suturas, injeção venosa, cirurgias, raio X, entubação, estabilização espinhal, técnicas de bandagem, ressuscitação boca-focinho, acesso jugular e vascular. Outros simuladores, como o de felinos e de ratos, são igualmente realistas. Além disso, existem softwares de alta qualidade que utilizam inteligência artificial e métodos in vitro. 14894642_1146077142141303_1081088583_o Programação: 18h – Exibição do documentário Cobaia – Os Porões da Ciência, do ativista Marcos Spallini (do Holocausto Animal), que conta com a participação do biólogo Sérgio Greif, defensor dos métodos substitutivos. Presença de Perninha, um cãozinho que foi cobaia da Universidade Federal de Viçosa (MG) e libertado por ação judicial, mediante manifestação popular. 19h – Audiência Pública “Uso de animais vivos no ensino: Ainda é Necessário?” Convidados: Anderson Furlan – juiz federal (Maringá –PR) Carlos Alberto Muller – Presidente da Comissão de Especialidades Emergentes do CFMV Conselho Federal de Medicina Veterinária FAJ – Faculdade de Jaguariúna  – Professor Flavio Pacetta, Diretor de Campus da Faculdade Jaguariúna Júlia Matera – professora da  Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP Odete Miranda – professora da Faculdade de Medicina do ABC Paula Andrea de Santis Bastos –  professora da FMU e membro da Nuvet – Núcleo de Medicina Veterinária e Espiritualidade Luciana Knopp – biomédica e professora da Faculdade Federal de Salvador Maru – veterinária da Natureza em Forma Neimar Roncati – diretor Faculdade de Veterinária Anhembi Morumbi Paulo Anselmo – veterinário e diretor do Depto de Proteção Animal de Campinas Local: Auditório Paulo Kobayashi Alesp – Av Pedro Alvares Cabral, 201, Parque Ibirapuera Fone  (11) 3886-6000



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